La crème de pourriture- E. B. Toniolli
Luyza estava cansada. Não fora um dia normal e normal é um atributo que ela nunca buscava na vida. Mas depois de 13 orgias com anões, gigantes, dinossauros, seres de 5 planetas diferentes e de 3 dimensões paralelas, ela podia dizer que o dia foi foda!
Seu corpo, que fora desenhado para o prazer estava chegando próximo do seu limite. Suas estranhas, revestidas de cartilagens que poderiam abraçar prédios inteiros estavam chegando a um ponto crítico. Ela se perguntava se teria um ponto de non-retour. Se o Plasmodium, elemento mais elástico e resistente do universo, teria um ponto de fissura.
Estava ela, absorvida pelos seus pensamentos, sonhando em chegar em casa e beber umas 14 garrafas de vinho tinto, daquelas safras boas da década de 2110, quando é interpelada por alguns adolescentes.
- Regarde comme c'est belle fille! Doit être vierge – Disse um deles de uma forma debochada, mas com um olhar de inocência, enquanto uma baba viscosa escorria da boca.
Luyza se habituara com isso. Seu modelo de ninfeta FC2150 sempre despertara essa emoção. Fora criada para isso, assim como seus irmãos do sexo masculino. Ela pensa em deixar pra lá, mas ela estava cansada e sabia o que a deixava muito relaxada.
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Luyza já estava em sua 4 garrafa de vinho. Ao esvazia-la, quebra-a contra sua cabeça com a certeza de que os cortes cicatrizam em segundos. Com uma leve alegria nas pernas ela confere se o processador já terminou a sua atividade e o timer registrava que ainda faltavam 4 minutos.
Como com um sorriso antevendo o gozo, abre mais uma garrafa de 3 litros de vinhos e começa a tirar sua roupa e distribuir delicadamente por sobre os móveis de sua pequena cobertura em Ville de Dijon.
Deitada em sua banheira, nua em pele e sonhos, seus olhos contemplam a parede alva, tal qual sua tez. Virando a garrafa de vinho até a última gota, seu conforto é que havia várias ao seu alcance. Abrindo outra garrafa com os dentes, ela ouve o timer... É chegada a hora! Logo uma substância disforme e multicolor é expelida de um cano para dentro da banheira. Uma massa processada e putrefacta de vários cadáveres de adolescentes babões.
Logo a banheira é preenchida pela massa de corpos processados apodrecidos e um odor nauseabundo preenche o ambiente. Sem se importar, Luyza pega algumas folhas de alecrim e outras de hortelã e espalha por toda banheira. Não que as ervas atenuassem o odor, mas a dualidade a desconforta, a deixa transtornada. Mas ela sempre tinha o antídoto para isso: um punhado de favas de baunilha. Ah, a baunilha misturada com o odor de corpos putrefatos. Nada mais doce e singelo em todo o universo.
Luyza estava em um momento só seu. Não havia nada melhor. Todos os horrores, privações e sacrifícios valiam a pena por aquele momento. Ela mergulha o corpo todo na banheira. Quer bater o seu recorde de ficar 9 dias imersa na podridão. Apesar de que o odor dos cadáveres não saia de seu corpo, sempre há mais favas de baunilha.



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