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A Eterna Farpa de Cada Dia - Alan Cassol

  Agora lascou tudo.  Um pé de dor  no assoalho da manhã.  Serragem nos olhos,  ando em versos farpados  de cada dia.  Lá fora, uns prosperam.  Aqui, raspo a coxa na  batente áspera.  Nádegas na patente.  Um prego entortado  segura um quadro  desnivelado.  À luz de fagulhas  marteladas, prego entre  os dentes, vejo as farpas  sob a pele da ponta dos  dedos.  E, quando a noite se apresenta,  as estrelas talham, na escuridão,  um estômago enferrujado.  Não sou desesperançoso,  sou, em maioria, fosqueado.  Mesmo com o brilho limado,  mergulho duplo farpado.  Meu aniversário cai no outono. 

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