Buracos - Cannubis
A mão pressionada na buzina anuncia o fim da paciência. O sinal abre, mas o fluxo de carros continua bloqueado. A marginal inteira parada. Yan apoia a testa no volante por um segundo a mais do que deveria. O ar dentro do carro é pesado, cheira a combustível velho e plástico aquecido. À esquerda, um ônibus solta uma nuvem de fumaça. À direita, uma motocicleta passa raspando o retrovisor. Olha o relógio no painel. O atraso já é inevitável, não que alguém ainda cobre horários de um contador divorciado, sem filhos... preso num domingo que não prometia nada além de tarefas domésticas adiadas. Abre o porta luvas. Seus dedos encontram um maço de Camel da noite passada. Tira um cigarro amassado e acende com o isqueiro que sempre falha na primeira tentativa. A primeira tragada arde. A segunda desacelera o pensamento. Ele joga o maço de volta e empurra o porta-luvas para fechá-lo. O compartimento não cede. Há uma resistência seca, como se algo estivesse no caminho. Yan sus...









