A beleza de tudo que vive e morre- E.B Toniolli
Havia beleza nas noites silenciosas,
no pio alto das corujas que velavam as madrugadas,
nas camadas de poeira que se acumulavam sobre tudo e todos,
nos passos solitários de andarilhos perdidos na loucura de seus pensamentos.
Havia beleza nos castelos de cartas que balançavam sob o vento da desolação,
na tristeza residente em todos os corações,
no olhar longínquo, perdido, frio, nu,
na solidão cercada por aqueles que um dia juraram amor.
Havia beleza nas vãs tentativas de empoderamento através do autoconhecimento,
no despertar de propósitos maiores,
no deixar sua marca na história através do entusiasmo e da ação,
em acreditar que todos podemos construir um amanhã melhor.
Havia beleza nos risos encardidos dos bebês ensandecidos,
nas mães que devoravam seus seios cheios de leite,
nos corpos que se tornavam uma massa disforme e única,
no lodo de podridão que cobria todo o horizonte.
Há beleza na nova fauna cor de sangue,
nas novas espécies inteligentes e insanas,
nos lagos e rios vermelhos que cobrem a terra,
nos vulcões expelindo ossos.
Há beleza na nova terra,
na terra podre.
Há beleza em todos os cantos da criação
que alcançam os olhos do poeta!



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